Os 3 meses
Março 4, 2008
É difícil ver alguém na faixa dos 20 e poucos anos que não beba. Eu mesmo não conheço ninguém. Mais difícil ainda é ver alguém que bebe por curtição que está dentro dessa faixa etária parar de beber. Por isso quando decidi parar de beber, mas parar de beber mesmo, nem mais uma gota de nenhuma bebida alcoólica pra dentro, todo mundo estranhou: “- Pra quê?”, “- Quem te via, quem te vê…”, “- Mataram meu galo…”.
Falar em parar de beber eu falava quase todo fim-de-semana, era só acordar verde de ressaca que prometia pra mim e pra quem quisesse ouvir “- Nunca mais faço isso na vida!”. Aí era só esperar o dia passar e esperar uma ligação: “- Vaaaaaaaaaaaaaiiiiiii, muleque???”, era uma vez a promessa…
Não foi sempre assim. O bicho pegou foi quando fiquei solteiro depois de um romance de quase 4 anos. Antes era só esquema de casal com os amigos, restaurante, barzinho, cineminha, prainha… até ficar só e passar a sair com os últimos remanescentes solteiros da galera.
Curti muito nessa época, verãozão na cabeça, ia pra todas as festas, conhecia muita gente, só chegava em casa com o sol batendo na cara (isso quando chegava). Distância e dinheiro não era problema, era ter mulher e cerveja que eu tava colado. Acordava no outro dia e a agenda do celular tinha um bocado de nome estranho, associar nome e rosto era um problema.
Nessa época eu já estava naquela onda de que devia me cuidar mais, e a cerveja passou a ser vodka com energético “pra não dar barriga”. Aí era todo fim-de-semana acordando mais verde ainda, com um gosto amargo na boca e um tambor no peito. Isso quando o efeito do energético passava rápido, se não era “fritando” na cama no que restava de noite com o coração em taquicardia querendo sair pelo ouvido.
Mesmo assim (aparentemente curtindo a vida adoidado), não sei se certo ou errado, nunca me desliguei do passado. Não sei se foi de propósito, mas sem saber explicar, eu ainda tava preso à vida de namorado. Se era um negócio mal resolvido? Acho que não. Uma coisa que sempre falava pros caras nessas saídas era que se minha ex-namorada tivesse lá eu não ficaria com ninguém. Não ficaria com ninguém na frente dela. Talvez por respeito, talvez por pensar na situação inversa, quem sabe. A gente se via pouco, nessas saídas só encontrei ela uma vez. Todo mundo sabe que quem bebe faz mais e pensa menos, e como não sou nenhuma exceção… Rolou um flashback, e depois outro, e outro, mas foi só. Nada de querer voltar o romance, de nenhuma parte. Tudo indo, tudo lindo, até que um ponto final rolou: a gente estava num mesmo lugar sem se ver a tempo, e quando ela estava indo embora acabou vendo o que eu não queria.
Os caras que tavam solteiros comigo acabaram namorando, um outro foi transferido pra outro Estado. E como já estava desanimando dessa vida que estava levando, isso serviu como mais um estímulo para querer parar de beber, de verdade. Pretendo me dedicar mais ao boxe e à musculação, e quem quer se dedicar mesmo a isso TEM que parar de beber.
Não digo que dessa fonte não beberei mais, mas por enquanto como meta inicial 3 meses tá de bom tamanho. Até porque em junho tem “SanJão”…

Agosto 18, 2008 at 7:47 pm
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